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Duetos debate institucionalismo algorítmico com especialistas de Portugal e do Brasil

Impacto da inteligência artificial no quotidiano é tema de conversa entre Helena Moniz e Virgílio Almeida, na Livraria Almedina do Atrium Saldanha, no próximo dia 27. A moderação será da jornalista Marina Ferraz.  

Do alarme do smartphone que desperta pela manhã até ao filme indicado pelo serviço de streaming à noite, a inteligência artificial está integrada de forma profunda no quotidiano. Menos discretamente e já em primeiro plano, governos, big techs, empresas e instituições fazem uso de algoritmos para recolher e processar dados que acabam por estruturar as sociedades globais. Atenta às oportunidades e aos desafios postos pela era digital generativa, a associação Fórum de Integração Brasil Europa (FIBE) aproximará a teoria crítica e a prática regulatória na próxima edição do projeto cultural Duetos- Diálogos Além-Mar.  

Intitulado Algoritmos em Debate: Instituições e IA, este Duetos reunirá a portuguesa Helena Moniz, presidente do Comité de Ética do Center for Responsible AI e coordenadora do projeto Bridge AI, e o brasileiro Virgílio Almeida, professor emérito de ciência da computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coautor do livro Política dos Algoritmos – Instituições e as Transformações da Vida Social, editado pela UBU e lançado agora em Portugal.  A moderação será da jornalista Marina Ferraz, editora do Poder360 na Europa.  

O debate partirá do conceito de institucionalismo algorítmico defendido pelo livro. A obra defende que sistemas algorítmicos não são ferramentas técnicas, mas sim agentes normativos. Tais sistemas estruturam contextos de ação, influenciam comportamentos e produzem consequências coletivas comparáveis às de tribunais, escolas ou governos, com impactos diretos na governança pública, na polarização, nas desigualdades e no racismo algorítmico. 

Membro associado da Universidade de Harvard, ex-secretário Nacional de Política de Informática e presidente do Comitê Gestor da Internet no Brasil, Virgílio Almeida foi um dos entrevistados da terceira temporada do FIBE Conversa, uma série de entrevistas publicada no YouTube para aprofundar debates cruciais estabelecidos em eventos do FIBE. Na ocasião, o professor listou quatro preocupações principais postas pela IA generativa: «A primeira é a desinformação que pode ser gerada. A segunda é a eliminação de vagas devido à automação. A terceira seria a preocupação com as violações de privacidade. E a quarta, que tem sido muito forte, é o impacto da inteligência artificial na democracia. Vai ser uma ameaça para a democracia?», provocou.     

Duetos – Diálogos Além-Mar | Algoritmos em Debate: Instituições e IA tem entrada gratuita e acontecerá às 17h, na Livraria Almedina do Atrium Saldanha. A conversa também será exibida no YouTube, como já é habitual ao projeto de viés cultural do Fórum de Integração Brasil Europa (FIBE).    
  
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Helena Moniz é professora na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, investigadora do INESC-ID, coordenadora do projeto Bridge AI, iniciativa que pretende capacitar Portugal para uma implementação responsável e informada do AI Act. A sua atuação articula investigação académica, envolvimento em redes internacionais e trabalho direto com casos de estudo de IA em áreas críticas, sublinhando a importância de uma abordagem multidisciplinar aos desafios éticos e legais da inteligência artificial. Ao liderar um consórcio que reúne academia, setor público e privado, Helena Moniz traz para o debate a experiência concreta de transformar princípios regulatórios em recomendações operacionais para instituições portuguesas. 

Virgílio Almeida é investigador e professor com atuação de destaque na interseção entre ciência da computação, ciência política e estudos sobre tecnologia e sociedade, sendo coautor da obra que trata algoritmos como instituições emergentes nas democracias contemporâneas. O seu trabalho discute como algoritmos estruturam regras e contextos de interação, participam de relações de poder e afetam a sobrevivência da democracia num cenário em que decisões automatizadas ganham centralidade. Ao trazer para o Duetos a abordagem do institucionalismo algorítmico, o autor oferece um enquadramento crítico para pensar riscos, desigualdades e possibilidades de democratização das tecnologias de IA.  

Marina Ferraz é editora do Poder360 na Europa. Jornalista formada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e mestre em Cultura e Comunicação pela Universidade de Lisboa, está no Poder360 desde 2020. No jornal digital, faz parte da equipe de internacional e participa de coberturas em Portugal, onde mora desde 2014, bem como na Europa. Também faz parte da equipe que produz o Drive, a newsletter premium do Poder360. Antes, foi jornalista e editora no portal de notícias português Notícias ao Minuto por quatro anos. Passou ainda um semestre na Itália, estudando temas como crítica de arte, literatura e cinema.